Alergia Ocular

O que são alergias oculares?

Alergias oculares são reações alérgicas que acometem os olhos ou estruturas próximas aos olhos, como as pálpebras. Reações alérgicas são respostas exageradas do sistema imunológico (sistema de defesas do corpo) a uma determinada substância, que é chamada de alérgeno. Portanto, alérgeno é qualquer substância capaz de produzir uma reação alérgica.

 

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O que pode causar alergias oculares?

Existe um número imenso de substâncias capazes de produzir reações alérgicas, as quais são chamadas de alérgenos, como já mencionamos. Na maioria das vezes, as alergias são desencadeadas por poeira, fumaça, pólen, ácaros, alimentos de origem marinha (camarão, lagosta e outros frutos do mar), medicamentos, produtos de beleza (maquiagens, perfumes, sabonetes, etc) e diversas outras substâncias, como tintas, solventes, agrotóxicos e inseticidas, por exemplo.

 

Quais são os sintomas das alergias oculares?

Os sintomas mais comuns são: olhos vermelhos, coceira (prurido), lacrimejamento, ardência nos olhos, fotofobia (sensibilidade exagerada à luz) e edema (inchaço) nas pálpebras.

 

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Quais as principais diferenças da conjuntivite alérgica para a conjuntivite infecciosa ?

– A coceira é mais comum e mais intensa na forma alérgica;

– A secreção (tipo remela, branca ou amarelada) é mais comum e intensa na forma infecciosa mas também pode ocorrer na alérgica;

– A forma alérgica NÃO é contagiosa, ou seja, não passa de pessoa para pessoa. A forma infecciosa, ao contrário, transmite facilmente entre as pessoas.

– A forma infecciosa geralmente dura 1 a 2 semanas. Já a forma alérgica, se não for tratada, pode durar muitas semanas.

 

A conjuntivite alérgica causa uma reação inflamatória no olho (com formação de papilas) diferente da conjuntivite infecciosa em que há formação de folículos (estes sinais só são visualizados pelo médico oftalmologista através de um microscópio). O paciente não tem como saber qual tipo de reação ele apresenta (papilas ou folículos) mas o médico oftalmologista pode visualizar essas reações e fazer a diferença entre os dois tipos de conjuntivite.

 

Quais são os tipos de alergias oculares?

As conjuntivites alérgicas em crianças apresentam-se habitualmente de forma grave, principalmente as do tipo primaveril.

Há quatro formas de conjuntivite alérgica: Sazonal, geralmente associada à rinite ou asma; ceratoconjuntivite atópica (associada à dermatite atópica); conjuntivite primaveril (ou vernal); e conjuntivite papilar gigante (associada comumente ao uso de lentes de contato).

As alergias oculares mais freqüentes são as conjuntivites alérgicas, que consistem em um quadro de conjuntivite (olhos vermelhos, coceira, lacrimejamento, edema palpebral), devido à exposição a um alergeno.

A cerato-conjuntivite vernal é um quadro mais grave de alergia ocular que ocorre geralmente em meninos, dos 5 aos 15 anos de idade, sendo mais acentuada nos meses de primavera e verão. Nestes casos, além de afetar a conjuntiva, ocorre também o acometimento da córnea, podendo prejudicar muito a visão do paciente, se não tratado adequadamente.

 

Quem pode ter alergias oculares?

Qualquer pessoa pode desenvolver uma alergia ocular. Pacientes portadores de rinite alérgica, asma ou alergias de pele apresentam mais chances de ter alergias oculares.

 

Conjuntivite Sazonal

A conjuntivite sazonal é a mais freqüente dos quatro tipos, caracterizando-se por ser uma reação de hipersensibilidade tipo 1, associada com fatores externos, como poeira e pólen. Os sintomas têm intensidade de leve a moderada e incluem: prurido, ardência, fotofobia e lacrimejamento. Ao exame podemos encontrar quemose (edema da conjuntiva), hiperemia conjuntival e reação papilar, sem envolvimento da córnea.

O tratamento é realizado com colírios antialérgicos, podendo ser associadas lágrimas artificiais.

 

Conjuntivite Vernal

A conjuntivite vernal ou primaveril é encontrada, principalmente, no sexo masculino, dos 5 aos 15 anos de idade, e está associada com outras manifestações alérgicas, como asma, rinite alérgica e dermatites. Os sintomas, em geral, são mais severos que nas conjuntivites sazonais e, ao exame, encontramos hipertrofia papilar (com papilas gigantes em alguns casos) e nódulos limbares de Trantas (constituídos por eosinófilos degenerados), podendo haver acometimento corneano, com ceratite puntacta e úlcera em escudo. Nesses casos de comprometimento corneano, recebe o nome de cerato-conjuntivite vernal.

O tratamento dos casos leves pode ser feito de modo semelhante ao empregado nas conjuntivites sazonais. Já nos casos moderados a severos, especialmente nos períodos de crises, o tratamento da conjuntivite vernal requer o uso de corticóides tópicos, além das demais medicações usadas nas conjuntivites sazonais.

 

Conjuntivite Atópica

A conjuntivite atópica é a mais rara dos quatro tipos e pode acarretar severo dano ocular aos pacientes, os quais, freqüentemente, têm acometimento cutâneo (dermatite), asma ou outras manifestações alérgicas.

Além disso, portadores de conjuntivite atópica apresentam maior risco para o desenvolvimento de Ceratocone e Catarata. As pálpebras podem apresentar dermatite e fissuras. A conjuntiva mostra reação papilar, com simbléfaro nos casos avançados. A córnea é acometida com ceratite puntacta, podendo haver defeitos epiteliais persistentes, úlceras e formação de leucomas (opacidades na córnea) nos casos mais graves.

O tratamento é realizado com anti-histamínicos tópicos, sendo freqüente a necessidade do uso de corticóides, como na cerato-conjuntivite vernal. Algumas vezes, além das medicações tópicas, é necessário associar anti-histamínicos ou imunomoduladores sistêmicos.

 

Papilas gigantes e úlcera de córnea em escudo na Alergia Ocular:

 

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A conjuntivite papilar gigante caracteriza-se pela presença de papilas gigantes na conjuntiva tarsal superior, podendo estarpresente nos casos anteriores, sendo mais comum na forma vernal. Uma importante causa de conjuntivite papilar gigante consiste no uso crônico de lentes de contato, principalmente as gelatinosas, devido ao acúmulo de depósitos protéicos na superfície das mesmas. Além disso, traumas mecânicos na superfície ocular, como a presença de suturas, também podem desencadear esta forma de conjuntivite.

O tratamento é feito com anti-histamínicos e corticóides tópicos. Suspender o uso das lentes de contato por alguns dias ou semanas também é recomendado, a fim de acelerar o processo de cura. Em alguns casos, além do tratamento clínico, é necessário remover cirurgicamente as papilas.

Em casos mais graves, onde a inflamação persiste por longo tempo, pode ocorrer lesões na córnea. Essas lesões podem comprometer, as vezes de forma irreversível, a visão da pessoa. Uma dessas lesões é a chamada úlcera em escudo, que requer um tratamento imediato e intenso, as vezes, por um longo período.

Casos graves de úlcera em escudo de repetição, apesar do tratamento clínico, com papilas gigantes exercendo papel importante na patogênese e manutenção da lesão de córnea, podem ser tratados cirurgicamente com remoção das papilas gigantes.

Como já tido acima, a coceira persiste por longos períodos (meses a anos) pode levar ao desenvolvimento de uma doença chamada Ceratocone.

 

Como evitar as alergias oculares?

A seguir, listamos algumas dicas:

1) Manter o filtro do ar condicionado sempre limpo;

2) Evite excesso de tecidos que acumulem poeira, como cortinas, carpetes e bichos de pelúcia, por exemplo;

3) Forrar travesseiros com capas impermeáveis;

4) Evite medicações ou produtos que já tenham causado alergia anteriormente;

5) Manter os ambientes arejados e com boa exposição solar;

6) Evitar animais domésticos dentro de casa, especialmente aqueles que soltam muitos pelos;

7) Evitar o uso de vassoura; prefira pano úmido para retirar a poeira.

 

Como tratar as alergias oculares?

Existem diversas formas de tratamento para as alergias oculares, como uso de colírios específicos e medicações sistêmicas. Assim, cada caso deverá ser avaliado individualmente, a fim de escolher o tratamento mais apropriado para o paciente. Consulte seu oftalmologista. Ele é o profissional capacitado para lhe orientar sobre o tratamento mais adequado para o seu caso.

 

Saiba mais sobre: Ceratocone.

Saiba mais sobre: O que é Conjuntivite.

 

Lembre-se: Este artigo visa informar o público e não substitui avaliação por médico oftalmologista, que é o único profissional capacitado para realizar o diagnóstico preciso e indicar o tratamento mais adequado para cada caso. Portanto, não pratique a auto-medicação e procure sempre o seu médico

 

O Instituto de Oftalmologia do Rio de Janeiro – IORJ ®, possui equipe médica especializada, com experiência no diagnóstico e tratamento das Alergias Oculares.

 

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Dr. Gustavo Bonfadini

Doutor em Oftalmologia e Ciências Visuais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), realizou especialização de 3 anos em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Residência Médica em Oftalmologia pela Secretaria Municipal de Saúde – RJ. É especialista em Cirurgia de Catarata e Transplante de Córnea pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Fez Post-doctoral Research Fellowship em Catarata, Córnea e Cirurgia Refrativa pela Johns Hopkins University – Estados Unidos. Chefe do Setor de Córnea e Cirurgia Refrativa do Instituto de Oftalmologia do Rio de Janeiro – IORJ, atua nas áreas clínica e cirúrgica da oftalmologia geral, transplante de córnea, síndrome do olho seco, ceratocone, distrofia de Fuchs, conjuntivite, cirurgia a laser, lentes intra-oculares, cristalino e catarata.


Lembre-se: O médico oftalmologista é o único profissional capacitado para realizar o diagnóstico preciso e indicar o tratamento mais adequado para cada caso. Portanto, não pratique a auto-medicação e procure sempre o seu médico.